Capítulo 3







Sultanato de Délhi - Qila Rai Pitora, Índia 1250


O sol entra timidamente pela janela. As terras da Índia não o agradavam mais que o mundo que deixou pra trás e junto o rastro de morte que o segue. Em alguns vilarejos faz com que tenham medo dele, outros apenas o ignoram.

Silas olha a jovem que dorme em sua cama. Ela não imagina o quanto ele obteve dela durante a noite e agora continua inocente quanto sua intenção...

Ele a toca de leve nas costas, sua pele morena esta úmida pelo suor provocado pelo calor insuportável nessa época do ano. A moça é uma bela jovem, filha de um dos aldeões.

Ela acorda, vira-se para ele e sorri.

- Como passou a noite meu amor? - ela pergunta.

- Bem e você?

- Muito bem... - ela escorrega pela cama e delicadamente começa a beijar seu peito descendo em direção a seu sexo.

Mas Silas agora quer outra coisa. Com um golpe rápido a puxa para cima pelos longos cabelos negros e se posiciona sobre o corpo dela. Rapidamente começa a morder seus seios arrancando-lhe grandes pedaços e provocando na pobre moça um pavor desnorteante, fazendo-a com que o expresse em gritos horrendos que podiam ser ouvidos há uma distância considerável...

- Cale-se! - ele diz, sem ao menos mudar o tom de sua voz. Porém, firme o suficiente para assustá-la.

- Irei matá-la de qualquer forma. Doerá menos se ficar quieta.

A moça olha o homem que na noite passada fora tão gentil. Agora lhe parece um animal, um selvagem com a boca e o rosto sujos de seu sangue. Via nele o demônio que os mais velhos diziam existir. Ele estava comendo sua carne, isso lhe provocou ânsia e medo. O sangue jorrava quente de seu corpo enquanto o Sombrio o bebia e mastigava sua carne com ferocidade. Ele olhou para ela, já não gritava, sua respiração estava fraca, quase imperceptível. Desta vez não ia sequer torná-la cinzas. Assim que terminou, olhou para o corpo dilacerado em cima da cama, os lençóis estavam empapados em sangue, o cheiro de sangue fresco e o sabor do Lícor que ainda sentia em sua boca o deixará satisfeito por um tempo.

Silas vai onde está sua bolsa e retira de lá um pequeno baú trabalhado em pele e ossos. O abre e deixa-o ao lado do corpo.

Olha ainda uma última vez com certo pesar para o que restou da jovem.

Mas logo vira-se e lava a boca na bacia com água ao lado da cama. Nu, lentamente vai até a sacada...

Apenas mais um dia após tantos.

De onde está, Silas lança um último olhar para o corpo na cama e vê vagamente o brilho da alma sumir em direção ao interior da caixa. 

Jogaria ela no rio.

Por hora, ainda não precisa se preocupar com os corpos...    





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