Os Invasores de Corpos - Jack Finney

 



Olá seres! Tudo bem com vocês? Estão preparados para essa narrativa cheia de pontas soltas, como avisa logo de início o Dr. Miles? Então vem comigo!

 Neste livro alienígenas, estranhas criaturas fogem de seu planeta natal que está sucumbindo e não mais comporta vida a fim de encontrem um planeta onde possam se replicar e substituir os seres que vivos. E olhem só: Encontram a Terra!

 Os invasores de corpos é um clássico de ficção cientifica. escrito por Jack Finney, a princípio foi publicado na revista Collier's em formato de série entre novembro e dezembro de 1954. Tendo sua primeira adaptação em 1956 e uma outra em 1978. Ambas muito boas, e, na minha opinião, as melhores até agora, apesar de haverem outras, inclusive uma estrelada por Nichole Kidman, mas nem de longe tão boa quanto as duas primeiras.

 Uma história atemporal, que apesar da temática alienígena é escrito com maestria por Finney que desenvolve uma narrativa simples, porém dinâmica. Não é um livro longo e está longe de ser um livro arrastado, o que possibilita a leitura em um ou dois dias.

 Neste Romance Finney conta, através de Miles Bennell, um jovem médico de 28 anos na cidadezinha de interior Mill Valley que fica na Califórnia em meados de 1976 - Isso é outro ponto do livro: ler algo que se passa em 1976, mas escrito em 1954 e ver que nada se perdeu mesmo hoje em pleno 2021 é muito intrigante. - Miles começa avisando que, ao final do livro, haverá muitas perguntas sem respostas e diversas pontas soltas na narrativa. até porque ele é incapaz de dizer exatamente o que aconteceu e se é que veio a terminar um dia. Uma pausa para a forma como Miles descreve Becky, sua paixão de juventude: "Ainda tinha um corpo espetacular. Era um esqueleto maravilhosamente revestido de carne." (É nessas horas, quando leio esse tipo de coisa que vejo que não sou exagerada nas descrições dos meus textos.).

Becky vai até seu consultório no final do dia para pedir ajuda com sua prima Wilma, que anda insistindo que seu tio Ira (Ira é o nome do tio) não é mais exatamente a mesma pessoa. Que é alguém como um impostor, alguém que apenas se parece com Ira, mas que na verdade não o é. Becky, então, pede para que Miles vá até a casa de Ira e dê uma olhada nele, converse com ele e fale o que acha. Claro que Miles não percebe nada de errado com o tio Ira, e por Wilma afirmar com tanta veemência que Ira não é Ira mesmo tendo todas as características que Ira sempre teve, tanto física quanto psicologicamente, Miles acha melhor marcar uma consulta com um psiquiatra amigo dele. No entanto, no dia seguinte Miles recebe em seu escritório uma senhora alegando que o marido não era exatamente o marido. E por aí vai...

 Casos assim acabam aparecendo vários e isso acaba por intrigá-lo. Até um amigo, Jack, o chama para que veja uma coisa estranha em sua casa. Miles e Becky vão. E se deparam com um corpo na casa de Jack. Depois de muito relutar Miles entende que o corpo parecia que nunca fora "usado" - é exatamente essa a palavra que usa para descrever. - Logo chegam à conclusão que é uma "réplica" do corpo de Jack, sem as digitais. O corpo se encontrava em um estado letárgico. Depois disso é só ladeira a baixo. O ritmo da narrativa é instigante e não é à toa que esse livro fez tanto sucesso em sua época já que a "invasão alienígena" pode ser uma metáfora para a "ameaça Comunista" que borbulhava na mente dos menos desavisados da época.

E esse clima de “Será que é verdade?", "Estamos todos envoltos em uma histeria coletiva?", nos prende até o final que, como Miles avisou no início, não se fecha exatamente. O final é diferente nas duas primeiras adaptações para o cinema, assisti, apenas as duas primeiras. As duas últimas não, portanto não posso afirmar nada sobre elas.

 De qualquer forma fica aquela sensação estranha tanto em Miles, quanto em nós leitores, de que não sabemos o que aconteceu, como aconteceu e se realmente aconteceu. E mesmo assim é uma grande história, que nos remete a pensar sobre a apatia alheia e o quanto ela pode nos atingir. E a questão: Até que ponto somos atingidos pela opinião e a forma como somos vistos pelas pessoas que nos entornam.

 Invasores de corpos é um livro impar que nos faz pensar e analisar pontos sobre nós mesmos e os outros que estão a nossa volta e como a empatia e o autoconhecimento é importante, principalmente nos dias atuais.






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